2.1.11

Arrefecimento global


Permito-me (re)publicar um texto do Engº Demétrio Alves, que merece bem a nossa atenção e reflexão:




"A propaganda da teoria do aquecimento global hiberna quando o gelo chega, ou melhor, tirita de vergonha ao tornar-se público e notório que as temperaturas desceram para valores de há um século atrás em certas regiões europeias.

Bastará, contudo, que o sol desponte, para que os crentes no global warming voltem a atacar, alertando para o degelo do Ártico. E, se o calor escassear, não hesitam em socorrerem-se dos tornados e outros eventos meteorológicos mais radicais, que por vezes ocorrem, para agitarem o papão das alterações climáticas catastróficas.

Em grande parte da Europa, os aeroportos, as vias-férreas e as auto-estradas ficaram inoperacionais durante vários dias. Deveu-se isto a uma massa de ar gelado proveniente de latitudes árcticas, que chegou para congelar as pequenas ondas dos lagos dos parques londrinos e das fontes romanas. Ora isto é espantoso: – então, o ar congela as águas no continente europeu, mas, no próprio Árctico, de onde vem, não funciona?!

Com o presente artigo, pretende-se alertar os leitores para deriva ecoliberal, em que os grandes poderes políticos e económicos vêem incorrendo, apoiando-se nas discutíveis teorias do IPCC – Painel Intergovernamental para a Mudança Climática, que servem de partida para a os lucrativos negócios em torno da economia do carbono. De facto, muitas dezenas de cientistas em todo o mundo já demonstraram que a teoria antropogénica do aquecimento global não está confirmada cientificamente. É uma hipótese, nada mais.

Mas, então, e não obstante todas as dúvidas existentes, por que razão os centros de decisão política neoliberais foram tão apressados em adopta-la como doutrina oficial, apontando medidas correctivas para "salvar o mundo" numa panóplia de soluções mitigadoras? Qual é o interesse dos media ao reproduzirem acriticamente tudo o que é anunciado como uma Verdade inquestionável? E por que motivo o caudal informativo sobre a "catástrofe ambiental" convence os consumidores de notícias e, entre eles, pessoas bem informadas e inseridas em partidos de esquerda?

Os alarmes relativamente ao degelo no Árctico não são novos nem inéditos: muito antes dos satélites americanos terem "visto", em 2007, aquilo que disseram ser a evidencia do degelo no Ártico, os marinheiros, pescadores e navegadores contavam que, no Verão, o clima é muito instável naquelas latitudes, e ora há degelo, ora a água recongela, e é isso que torna a navegação muito perigosa naqueles mares. Os russos, naturalmente, conhecem bem aquelas águas.

Uma notícia publicada no The Washington Post, em 2 de Novembro de 1922, baseada num relatório governamental do United States Department of Commerce, com origem nas informações recolhidas pelo cônsul americano na Noruega, chamava a atenção para as alterações que estavam a verificar-se no Árctico: as águas aqueciam, os icebergs desapareciam, as focas ressentiam-se e os ursos polares estavam a desaparecer. Enfim, já então eram só desgraças!

Naquele tempo a repercussão internacional, pelo menos no mundo ocidental, foi enorme. Estava-se perante uma alteração drástica de toda a região do Árctico, dizia-se.

Em 1922, o dióxido de carbono (CO2) não estava na agenda de ninguém. As emissões antropogénicas deste gás que, note-se, não é um poluente, eram muitíssimo menores do que são no presente. Simplesmente havia, como hoje, outros mecanismos responsáveis pela evolução climática, mecanismos esses com muito mais importância do que o inocente CO2.

Naquela época, a Organização Mundial de Meteorologia anunciou que a temperatura média global cresceria a uma taxa próxima da que veio, de facto, a verificar-se muito mais tarde, no período de 1970 a 1990, e que deu oportunidade ao IPCC e seus seguidores para fazerem o grande alarido que conhecemos.

C02, O PSEUDO VILÃO UNIVERSAL

A situação do Árctico, com ou sem satélites meteorológicos, com ou sem IPCC, repete-se desde tempos imemoriais. A diferença é que, actualmente, há uma agenda ecoliberal, segundo a qual faça chuva ou faça sol, faça uma onda de calor ou uma vaga de frio, ou, até, sismos, erupções vulcânicas ou tsunamis, tudo é culpa do CO2.

Esclareçamos, com maior pormenor, a opinião crítica aqui registada e que se fundamenta nos trabalhos eruditos de muitos estudiosos destas matérias em todo o mundo.

As diversas actividades industriais, que se vêem intensificando desde a revolução industrial, numa primeira fase impulsionada pela utilização da máquina de vapor accionada a carvão, e, depois, pela electricidade (gerada a partir do potencial hídrico e do carvão) e pelo petróleo, colocam um severo problema de gestão de recursos naturais, e, entre eles, o do esgotamento a médio prazo do petróleo, cujo Pico produtivo estaremos a atingir na actualidade, e, mais tarde, de forma inevitável, do gás natural e do carvão. O próprio urânio, se consumido na produção de electricidade com as melhores tecnologias já hoje disponíveis, também se esgotará em menos de cem anos.

O ritmo de extracção dos recursos naturais e o crescendo das emissões poluentes resultantes da indústria e dos transportes, foram acelerados à medida que o modo de produção capitalista se impôs mundialmente. Este modo de produção, a par da sua força revolucionária inicial, é, por natureza, predatório e desregulado. E o seu poder adaptativo tem, inclusive, o condão de contaminar as alternativas políticas e económicas socialistas que se formaram em diversas regiões eurasiáticas, pressionando-as a "competir" com ele em vários tabuleiros e, assim, levando-as a não conseguirem originar um forma de produção industrial alternativa e sustentável. E, quando não vai lá através do binómio competição-sedução, recorre aos bloqueios ou à agressão bélica.

É possível que as diversas actividades humanas, que trazem sempre consigo diversos tipos de impactes – a desflorestação, a produção de metano pela agro-pecuária, a alteração dos solos, os resíduos produzidos pelos quase sete mil milhões de seres humanos, a emissão de CO2 industrial e nos transportes (e nas queimadas e incêndios) e de poluentes líquidos, sólidos e gasosos, etc., – contribuam, com uma percentagem significativa, para algumas das alterações climáticas que se fazem notar no planeta. No entanto, pode afirmar-se com segurança, que não é possível provar, ou imaginar sequer, um padrão de correlação causa-efeito solidamente estabelecido e indiscutível.

A caracterização e quantificação destas mudanças tem muitas incertezas e, por via disso, é difícil afirmar, com razoável segurança e seriedade, qual a data a partir da qual elas, as alterações climáticas, afectariam significativamente a geosfera, a biosfera, e a própria nooesfera. As várias estórias acerca das alterações climáticas são, para diversos cientistas (sistematicamente silenciados), muito duvidosas. É que há muitas causas para as mudanças climáticas periódicas que são mal conhecidas.

É razoável admitir, então, que, independentemente das incertezas, seria importante descarbonizar, desde já, a economia. Por uma questão de prudência.

O AUMENTO DAS TARIFAS DE ENERGIA ELÉCTRICA

Contudo, e porque isso significa gastar milhares de milhões de euros ou dólares, há que balancear com prudência os custos e os benefícios deste colossal investimento público e privado. Porque, ao gastarem-se estes recursos financeiros nesta frente, isso determina que eles rareiem em outros campos essenciais para a humanidade, como o combate às endemias, à fome e à iliteracia. Mais, é necessário perceber que a mobilização destes montantes financeiros significa, no actual modo de produção dominante, que os consumidores e utentes de bens e serviços essenciais acabam sempre a desembolsar muito mais. Em certos países, como Portugal, significaria perder competitividade económica, ou seja, aumentar o deficit e o desemprego. Por outro lado, as empresas que fornecem bens e serviços "livres de GEE", e que foram, entretanto, privatizadas, não prescindem dos seus lucros escandalosos. Veja-se, entre nós, o inqualificável caso do aumento das tarifas eléctricas, devido, entre outras causas, às eólicas e outras energias renováveis subsidiadas – cuja exploração aparece justificada pelas alterações climáticas –, e os pornográficos lucros das empresas produtoras, como a EDP, por exemplo.

Em suma: não é nada pacífico considerar que a causa principal do aquecimento do planeta – se esta tendência se mantiver – sejam as emissões antropogénicas de dióxido de carbono. No entanto, o poder político dominante, quer impor, de qualquer maneira, que essa seja a Única Verdade. Tudo o mais é inconveniente. Veja-se, por exemplo, a enorme trapalhada em que se envolveram alguns cientistas no chamado Climagate que ensombrou a COP15.

Há dúvidas essenciais sobre a ligação entre os GEE (Gases com efeito de estufa) e o aquecimento global. Designadamente aquelas que têm a ver com o referencial temporal que os cientistas utilizam para proceder àquela correlação - cerca de 150 anos de registos fiáveis -, e que muitos consideram insuficiente para estabelecer uma teoria sólida sobre as causas de aquecimento de um planeta que subsiste há milhares de anos. Esta dúvida foi, finalmente, assumida pela ONU, que, em Março de 2010, iniciou uma revisão das Conclusões do 4º Relatório do IPCC, precisamente na sequência das críticas aventadas antes e durante a COP15.

Em Outubro de 2008, uma das principais missões da dinamarquesa Connie Hedgaard, ministra para os assuntos da energia e clima no seu país, era a de preparar a Conferência Sobre Mudança Climática que se realizaria, sob a égide das Nações Unidas, em Dezembro de 2009, na cidade de Copenhaga.

Numa entrevista dada à revista Veja – edição 2081 – a ministra dava conta dos seus entusiasmos e preocupações e, perante uma questão colocada pelo jornalista (Qual é o principal indício do aquecimento global?), deu a seguinte resposta: – "Em 2004, quando fui nomeada ministra do Meio Ambiente, recebi a informação de que em trinta anos a fusão do gelo do Árctico iria permitir a navegação entre o Mar do Norte e o Oceano Pacífico. Decorreram apenas quatro anos e, no último mês, a passagem já ficou livre do gelo. Ou seja, a abertura ocorreu muito antes do previsto!"

Acontece, porém, que houve um navegador português, de nome David Melgueiro , que, ao serviço da Holanda, terá saído do Japão em Março de 1660, cruzou parte do Oceano Pacífico, passou no Estreito de Bering, atravessou todo o espaço oceânico árctico roçando, acima do arquipélago Svalbard, os 84º de latitude norte, descendo depois pelo espaço-canal entre a Islândia e a Irlanda, já no Atlântico, para chegar à foz do Douro em 1662.

E, que se saiba, O Pai Eterno – assim se chamava a embarcação usada por Melgueiro – não era um cruzador couraçado e também não é provável que tenha sido apoiado por quebra-gelos movido a energia nuclear. Pelo contrário, tratava-se de uma daquelas construções em madeira apenas um pouco mais evoluída do que as simples caravelas.

Se, em meados do séc. XVII, já não havia, naquelas tiritantes latitudes, gelo suficiente para travar uma frágil casca de noz, duas hipóteses se colocam: ou houve alguma nova glaciação entre os séculos XVII e o XX, ou, então, no tempo de Melgueiro, verificaram-se alterações climáticas suficientemente fortes para que se verificasse um significativo degelo, que, por certo, não se deveu, a ter acontecido, a gases com efeito de estufa de origem antropomórfica.

No que respeita à política de ambiente internacional no pós-Copenhaga (que foi um fiasco) é necessário reter que, sendo certo que a preservação da atmosfera terrestre deverá ser uma responsabilidade dos diversos países, é também claro que a influência que cada um desses países exerceu sobre a atmosfera ao longo da história – e a que ainda hoje exerce – é muito diferente, o que determina que aquela responsabilidade tenha de ser diferenciada.

Por outro lado, a definição da responsabilidade de cada país no esforço global de redução de emissões terá, pelas mesmas razões de justiça, que ter em conta os referenciais socioeconómicos das respectivas populações.

As emissões per capita da China são quatro vezes inferiores às dos EUA e cerca de metade da média das emissões da UE. A Índia tem cerca de um décimo das emissões médias da UE e vinte vezes menos do que as dos EUA. Neste momento, na Índia, há cerca de 500 milhões de pessoas sem acesso à electricidade.

São, assim, descabidas e injustas as tentativas de responsabilizar estes e outros países – os da ALBA, por exemplo – pelo fracasso de Copenhaga. Apenas a cegueira dos ecoliberais, empenhadíssimos nos chorudos negócios propiciados pelo mercado do carbono e pelo market enablement das renováveis, justifica a tentativa de impor restrições aos países e povos que se querem desenvolver mas que não podem dar-se ao luxo de consumir "carvão limpo" ou usar apenas energia eólica e solar para produzir electricidade (como se isso fosse viável).

"The planet has a fever ", afirmou Al Gore num discurso proferido no Congresso norte-americano, em Março de 2007, incluído na sua cruzada contra as alterações climáticas. Já se percebeu, contudo, que este fantástico paladino ambiental tem vários negócios "ambientalmente correctos", todos eles na linha do preconizado no 4º Relatório do IPCC, que veio estabelecer, apressadamente, um nexo entre a industrialização e os hábitos de consumo de uma sociedade movida a carbono e o aquecimento global.

A mitigação dos efeitos do CO2 é urgente diz o IPCC, e isso passaria pela imediata redução das emissões de GEE (Protocolo de Quioto), através da introdução de tecnologias mais limpas, na implementação de técnicas que propiciem eficiência energética e na progressiva reconversão das fontes de energia fóssil densamente poluentes por fontes renováveis tendencialmente limpas. É, não haja dúvida, uma música linda! Teríamos, assim, o soft way referido por Lovins na sua obra The energy controversy (1977), em que se recorreria de forma intensiva a novas formas de produção de energia (electricidade) através do vento, do sol e das marés.

Vivemos, na actualidade, mergulhados na perversa omnipresença de um debate centrado na questão dos GEE, em particular do CO2, preterindo outros assuntos muito mais relevantes como sejam, a protecção da biodiversidade, o acesso à água, a luta contra a desertificação, para além da já citada necessidade de combater a fome, as epidemias, as desigualdades e a iliteracia. Mas, estas questões, que não geram economias específicas e negócios lucrativos, não são, por isso, prioridades para a UE e EUA. Além disso, não serviriam para atacar os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).

A ditadura das alterações climáticas desencadeou, sem dúvida, um movimento de reconversão da produção energética (electricidade) a partir do voluntarismo da Europa. Em Portugal, o governo diz que são os campeões deste movimento.

Apesar da simpatia que merecem as fontes renováveis utilizadas para produzir electricidade, são muito grandes as dúvidas sobre a justeza e sustentabilidade desta opção, nomeadamente quando se pretende fazer acreditar que elas seriam suficientes, por si só, para sustentarem os consumos mundiais crescentes.

A herança de Quioto no plano do incentivo às energias renováveis tornou-se numa moda pujante e inquestionada pelos media. Tanto no plano da geração de electricidade, como ao nível da produção de biocombustíveis para alimentar as frotas rodoviárias e marítimas, as tecnologias de aproveitamento de fontes de energia renovável proliferam e desafiam a imaginação.

Porém, esta reconversão energética pós-moderna e ecoliberal não só agiganta brutalmente os custos financeiros dos investimentos iniciais, como, de facto, avoluma os impactos sociais e ambientais.

A CONVERSA BEATA DAS RENOVÁVEIS

O aproveitamento de fontes de energia renováveis implica investimentos iniciais vultuosos porque incluem custos "frescos" de investigação científica e experimentação, significam a construção de miríades de pequenas centrais electroprodutoras, a extensa reconversão agrícola ou silvícola para a produção de biocombustíveis, a extensão e reforço da rede de transporte e distribuição eléctrica bidireccional e, ainda, o investimento em centrais convencionais (térmicas ou hidroeléctricas) devido ao carácter intermitente e aleatório das fontes renováveis (sol, vento, ondas), custos que se reflectem na factura energética. Os consumidores, previamente mentalizados que devem contribuir para o esforço contra o aquecimento global, não têm outro remédio do que pagar mais. E ainda ficam agradecidos por puderem colaborar na "missão" de combate ao aquecimento global!

Não há dúvida que é um esquema genial, este, o que foi montado pelos ecoliberais! Muitos deles andaram, há trinta anos atrás, na campanha pela liberalização e privatização das empresas energéticas, dizendo que, com isso, a energia seria mais barata.

Cumpre dizer que estas "novas" fontes de energia (conhecidas há centenas de anos) são devoradoras de espaço, são intermitentes e não são inócuas, nem do ponto de vista ambiental, nem do ponto de vista social. Basta citar que a desflorestação da Amazónia, para propiciar a cultura da cana-de-açúcar e outras matérias-primas bioenergéticas, constitui uma emenda pior que o soneto. E que a utilização do milho para produzir álcool fez disparar os seus preços, determinando o aumento insustentável do custo da alimentação dos povos da América Central.

É interessante registar que toda esta questão baralhou os referenciais político-ideológicos: há uma direita neoliberal que diz que a responsabilidade desta novel orientação é de uma designada "esquerda ecotópica", formada pelos partidos socialistas (sociais-democratas, trabalhistas, democratas) coligada aos movimentos ecologistas, que seria caracterizada por uma ideologia pós-moderna, anti-científica, e com muitos interesses económicos misturados. Chega-se mesmo a defender que esta "esquerda" teria muito em comum com o pensamento mágico, elitista e utópico do nacional-socialismo, só não sendo, por enquanto, nacionalista e violenta.

Por outro lado, a esquerda científica (marxista) correlaciona esta política ambiental, centrada nas teses do IPCC, com as lideranças neoliberais que, assim, ensaiariam uma manobra de diversão para refrescar o sistema capitalista.

De facto, os dois pontos de vista podem ser concatenados se considerarmos que, hoje em dia, os partidos "socialistas" se tornaram nos pontas de lança de um neoliberalismo assanhado que está, de facto, a provocar um terrível arrefecimento global socioeconómico."

11.11.10

CARTA ABERTA AOS CIDADÃOS DE LOURES II


Na minha opinião, volta a justificar-se dar publicamente a palavra ao Maestro António Saiote , o que aqui faço:

Queridos concidadãos,

Chegaram ao meu conhecimento considerações públicas feitas pelo Sr. Presidente da Câmara Municipal de Loures, que merecem breves comentários, dado que se sustentam em pressupostos falsos e assumem um carácter despropositado, lamentável e insidioso:

1. Nunca, em nenhum momento foi feita por mim ou quem me representa qualquer proposta à Câmara Municipal de Loures no valor de trinta mil euros;

2. É um facto que em minha representação foi apresentado um orçamento à Câmara Municipal de Loures, mas esse, decorreu de um acordo previamente estabelecido com o Sr. Vereador Ricardo Leão, em reunião, para a qual fui expressamente convidado.

3. Nesse encontro – a que compareci a pedido do Sr. Vereador – explicitei a minha ideia - como já havia feito ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Loures numa iniciativa do Rotary Clube de Loures em que nos encontrámos - e que consistia na apresentação em Loures da 9ª Sinfonia de Beethoven com uma Orquestra composta por 75 elementos, um Coro de 80 elementos e 4 cantores solistas;

4. Na referida reunião para a qual, sublinho, fui convidado, houve acordo total e completo à minha proposta e bom entendimento sobre o valor artístico e representatividade da iniciativa, a propósito da comemoração do Centenário da República, que se justificava inteiramente pelo papel que Loures desempenhou na Implantação da República. Pelo menos, assim foi expresso pelos intervenientes;

5. Vir agora acusar-me publicamente do que quer que seja - quando fui convidado pela Câmara Municipal para apresentar uma proposta e tendo obtido absoluto acordo na referida reunião – configura uma desonestidade intelectual inqualificável, sobre a qual nada mais direi, a não ser que os actos ficam para quem os pratica;

6. Para que conste, torno público que por me ter comprometido com o Sr. Vereador Ricardo Leão na aludida reunião, recusei a realização de um outro Concerto, o que acabou por resultar num prejuízo directo para mim;

7. Por fim, sublinhando a fragilidade moral e intelectual que já assinalei, estabelecer uma comparação entre um espectáculo de solidariedade – que ocorreu – e um Concerto de celebração dos 100 anos da República nos termos em que propus e foi aceite, é uma atitude de elevada gravidade política, cívica e ética, na medida em que nunca me foi solicitada ou proposta qualquer acção de natureza solidária;

8. A propósito deixo o desafio ao Sr. Presidente da Câmara para provar que alguma vez me foi solicitada colaboração num evento de solidariedade e que eu tenha recusado; As pessoas de Loures conhecem bem o meu empenho na Banda e o entusiasmo que dediquei à Cidade e aos Bombeiros, em prol do seu Quartel. Em Loures é bem conhecida a minha família e a sua história na terra de dedicação e solidariedade sem retorno e julgava estarmos acima de qualquer risco de difamação;

9. Como natural de Loures que sou e firmemente apaixonado pela minha terra, resta-me expressar aos meus conterrâneos a indignação que estas condutas pouco sérias e desleais me provocam, lamentando que a minha Câmara Municipal ao invés de valorizar, apoiar e projectar a expressão nacional e internacional do meu labor e o reconhecimento mundial já obtido, optar por me hostilizar e caluniar;

10. Já fui objecto de censura e manipulação antes do 25 de Abril. Lamento estar a sê-lo de igual modo nesta altura. Espero, e porque se tratou do Centenário da República que alguém saiba praticar a ética republicana não usando o poder para manipular a verdade e difamar os cidadãos.

11. Saibam pois, todos, que em paralelo com estas atitudes inqualificáveis, em casa, tenho vindo a receber incentivo, prémios e consideração um pouco por todo o mundo. E para que não tenha de o detalhar em causa própria, convido ao acompanhamento das notícias internacionais da cultura, se isso não for pedir de mais às excelentíssimas primas dos mestres de obras.

António Saiote
Maestro

Loures, Novembro de 2010

4.9.10

Mais um triste exemplo da Câmara de Loures

Publico, por ser merecedora de toda a divulgação, uma Carta Aberta do Maestro António Saiote aos seus Concidadãos. Loures, prossegue na ribalta pelas piores razões.

Não é apenas a cultura que está a ser "estrafegada". É também a ética, os princípios e o respeito por aqueles que são reconhecidamente embaixadores de Loures e da sua cultura.


"Queridos concidadãos,

Desde menino que ouvia relatos orgulhosos da república ter sido declarada a 4 de Outubro em Loures. Os meus avós, pais, amigos tinham esse feito como algo que nos distinguia dos de outras terras. Várias vezes me correram as lágrimas quando perfilado na banda de Loures tocava o Hino nacional. Aliás elas estão a correr agora!

Matarruanos e Republicanos

Há 2 anos falei com o presidente da Câmara alertando para a importância do evento e da dignidade que merecia. Informei também que a única vez que o Parlamento tinha reunido fora de São Bento tinha sido em Santo Antão do Tojal, facto dele desconhecido.

Lembrei que se tudo fosse preparado atempadamente e correctamente poderia obter financiamento da comissão nacional.

Esperava estar a tratar com pessoas que sabiam a diferença entre a obra-prima do mestre e a prima do mestre-de-obras!

Passaram 2 anos para obter uma resposta à minha proposta. Primeiro ela foi positiva e perante assessores tratámos de problemas logísticos e há 1 mês veio a cambalhota rasteira.

Por educação não vou definir a maneira como tudo foi mal tratado. Confundi o tipo de interlocutores ao serviço da nossa Câmara. Esqueci-me que há representantes de um novo partido em Loures e uma nova imagem por eles escolhida PCB - Partido do Caracol e da Bejeca.

Resta-me desejar que a nossa terra volte a ter pessoas ao seu nível e ao nível dos seus egrégios avós!"

António Saiote


21.8.10

Loures: Para a história de um declínio anunciado

O PS venceu em 2001, as eleições autárquicas no Município de Loures. Foi a escolha dos eleitores e nada há a dizer: as pessoas fizeram a sua escolha, ponto final.

O partido vencedor dizia, então, durante a campanha eleitoral, que “Loures vai sentir a mudança”. Honra lhe seja feita, o slogan tem sido cumprido. Loures mudou, mudou muito.

De exemplo na cultura e no desporto à vulgaridade absoluta, de rumo na educação ao folclore dos painéis publicitários, de orientação no ordenamento do território ao despautério urbanístico, dos apoios justos ao movimento associativo aos apoios clientelares, de uma empenhada política social ao abandono dos bairros e das políticas sociais e a lista podia continuar indefinidamente.

Em geral, dos primeiros lugares em todos os indicadores, para uma situação bem mais modesta.

Alguns dados de fontes insuspeitas - Associação Nacional de Município Portugueses e o Instituto Nacional de Estatística - em gráfico, para imediata percepção

Entre 2000 e 2007 queda é continuada. Tratando-se de dados de um período anterior à deflagração da corrente “crise” internacional, evidentemente que a "crise" aqui não tem qualquer reflexo nos dados apresentados.
Deste indicador formulado pelo INE, resulta a evolução que se vê da posição a nível nacional: em 2000 Loures estava na posição 17ª, em 2007 já estava na posição 25ª.

Por outro lado, a percentagem do Poder de Compra, que mede o “peso” de cada município no contexto do país, oferece o seguinte panorama:

Onde se confirma o “afundamento” do Município de Loures ao nível nacional:



Como é bem perceptível, Loures passou da 4ª posição no ranking dos Municípios Portugueses, para o 7º lugar.


Portanto, não haja dúvida que Loures tem sentido a mudança. É a escolha dos eleitores, sem dúvida. Mas terão os eleitores boa consciência do que nos está acontecer ?

Pois aqui ficam dados para reflexão, apenas reflexão, já que o povo é soberano e não tem que querer viver melhor, apenas tem de viver como escolher viver.


Mas há ainda um outro dado da máxima importância para se avaliar o “estado da arte” da governação PS em Loures: a evolução das receitas, ou seja, dos meios de que o PS dispôs para fazer “sentir a mudança”.

Embora não estejam disponíveis os dados referentes a 2007, a evolução entre 2000 e 2005 (últimos dados disponíveis) mostram bem como a Câmara de Loures vem tendo progressivamente mais dinheiro:


Não é fácil, por isso, perceber o discurso da “desgraçadinha” de que não há dinheiro para nada. Que por falta de dinheiro a Câmara esteja impedida de fazer tudo.


Mesmo sem falar do crescimento exponencial das receitas obtidas com as taxas do vendaval urbanístico que percorre o Concelho, a incontornável verdade é esta:


Loures, recebe cada vez mais dinheiro oriundo de impostos e orçamento de estado;
Loures, faz cada vez menos em prol dos seus munícipes;
Loures, está cada vez pior posicionado no contexto nacional.
E é isto o que temos.


A governação do PS é legítima ? Sem dúvida.


O PS na Câmara de Loures é desejável ? Que cada um conclua por si próprio e decida onde quer estar daqui a uns anos, se se continuar a descer a rampa a esta velocidade.

24.7.10

Relvados envenenados





A Câmara Municipal de Loures dedicou-se nos últimos 4 anos ao arrelvamento sintético de inúmeros campos de futebol. Á primeira vista esta medida é positiva.

Como antigo praticante, que o fez anos a fio nos chamados "campos de terra batida" e episódicamente em relvados (naturais, naturais) posso testemunhar que jogar na relva, até ensina a jogar.

Portanto, de um ponto de vista do desenvolvimento desportivo, para os atletas, treinadores, dirigentes e clubes, poder-se-ia dizer que foi uma boa medida.

Contudo, não me permite a consciência, deixar de questionar uma tal opção. E porquê ?!...

Porque:


1. Não é estratégica. É uma mera opção obreirista e eleitoralista. Foi tudo feito por igual em todos os lados para produzir inaugurações e se possível obter apoios eleitorais. Não foi pensado e não tem objectivos desportivos a atingir;


2. É errada a opção de fazer relvados sintéticos em todas as situações. Há casos que o justificariam. Há casos em que a relva natural era a solução mais indicada;


3. É um equívoco profundo mas que ao que me parece se generalizou (quem terá feito constar tal confusão ?!...) de que os relvados sintéticos não precisam de manutenção. Pelo contrário, os relvados sintécticos são mais comedidos de manutenção nos primeiros anos, depois são como os automóveis, nunca mais param os problemas e são elevados os custos;


4. Em breve, verificaremos o que dirão atletas, treinadores e dirigentes nos casos em que não se faça desde o início uma manutenção atenta, cuidadosa e dedicada. Os Clubes estão advertidos para o que têm de fazer no dia-a-dia ?!...;


5. É um erro de palmatória - quando os organismos internacionais do futebol não deram luz verde (e quem anda ligado ao futebol sabe porquê) à substituição dos relvados naturais por sintéticos - passar, no Concelho de Loures, tudo a sintético. Dificilmente algum campo de futebol de Loures será escolhido para uma prova internacional;


6. Mas o pior é que com esta manobra (nalguns casos muito aplaudida por dirigentes de vistas curtas), a Câmara de Loures acantonou os Clubes do Concelho nas "courelas" em que se encontram os seus parques desportivas e sem qualquer possibilidade de desenvolvimento;


7. Note-se, caso a caso, (Loures, Sacavenense, Camarate, Santa Iria, Tojal, etc. etc.) que estão completamente "sufocados". Ficaram todos mais alindados, o verde dá-lhes um outro aspecto e torna-os convidativos, mas na maior parte dos casos são meros rectangulos esverdinhados que não vão servir para mais nada, que não podem crescer, que não podem sequer adoptar dimensões maiores permitidas pelos regulamentos federativos;


8. Dir-se-á que são à medida das ambições dos dirigentes e das massas associativas. Não estou certo disso. Hoje, haverá quem esteja "contentinho" com a situação e não almeja mais nada. Amanhã não sabemos de que fibra, que horizontes, terão os dirigentes desportivos do Concelho de Loures. Alguém que veja um pouco mais longe vai ser confrontado com os sufocantes limites de um caquético rectângulo verde para a prática (exclusiva) do futebol. Alguém que tenha outra ambição para o seu Clube, para a sua terra, para as crianças e jovens da sua comunidade, irá perguntar-se como foi possível um tal disparate;


9. É-se obrigado a esquecer qualquer desenvolvimento desportivo. Estar-se-á confinado ao futebol e à mediocridade de instalações e de condições;


Direi pois que o presente está envenenado. Terá sido seguido este caminho por má fé ? Não creio. Francamente, acho que é por ignorância, incompetência, falta de ambição, oportunismo. E nada mais;


Desconfio, não sei de nada, mas desconfio, que com o argumento de "ainda há pouco fizemos o arrelvamento do vosso campo", durante os próximos anos não será concedido nenhum apoio ao desenvolvimento das infraestruturas desportivas dos Clubes (excepção feita evidentemente para algum caso de "amigos muitos especiais" na direcção de algum Clube);


Mas também uma estratégia desportiva (nem que seja só para o futebol) não verá certamente a luz do dia na manobra da Câmara de Loures. É que um desenvolvimento desportivo sustentado não produz resultados imediatos e não é passível de inaugurações. Portanto, não cabe nos objectivos próximos do comando político do Município;


O actual Presidente da Câmara prometeu-nos golfe nas escolas (não podiam ser só desportos populares, dizia ele). Investiu o que tinha e não tinha (a Câmara tem uma brutal divída acumulada aos seus fornecedores) para arrelvar sintéticamente muitos campos de futebol. E não passou disso. Como se sabe, os alunos das nossa escolas continuam a ouvir falar de golfe apenas pela televisão;


Tanto relvado sintético é ainda uma farsa, porque bem sabemos que a mioria dos Clubes se encontra à míngua de tudo e, em muitos casos, nem Corpos Sociais eleitos conseguem ter, pelo que não se vislumbra como é possível executar qualquer Plano de Desenvolvimento do Futebol em Loures, caso fosse esse o objectivo. E só podia ser esse, para um tão elevado investimento público;

É que se os Clubes fecharem (alguns - infelizmente - estão nesse rumo), nem as vacas vão poder pastar. A relva é sintética e está "envenenada".



26.5.10

Pub

Em assumida letargia há cerca de um ano, este blogue volta ao activo, embora apenas com publicidade, que passou a aceitar, desde que a dita respeite a lei, os estatutos e se reporte a uma causa respeitável.





2.6.09

Contra a censura, marchar, marchar

Agora, são os Xutos & Pontapés, os alvos de um inacreditável silenciamento. Pelos vistos a música continua a incomodar muito boa gente, o rock que fala sobre o quotidiano muito mais e a música rock que "pega os bois pelos cornos" é particularmente inconveniente.

Contra a censura, marchar, marchar. Com a devida vénia a MBQuart450, o meu singelo contributo contra o silenciamento dos Xutos e a "Sem eira, nem beira".

Digam-nos lá, senhores, se a verdade - musical que seja - vos atrapalha a vida...

1.5.09

Passar todos os limites da decência!

Ao aprovar um novo e mais alargado ataque urbanístico à zona da Foz do Trancão, substituindo o Parque Verde por construção, a gestão PS da Câmara de Loures, ultrapassa os limites da decência, do decoro e do desrespeito.

É uma indignidade inqualificável que não calarei e em todas as circunstâncias recordarei, com os nomes dos seus autores, onde e quando quer que seja.

Se o Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional e o Primeiro Ministro não pararem o atentado, não deixarão de se associar a um golpe indigno, insultuoso e terrorista.

Ficarão indelevelmente ligados ao sufoco da Cidade de Sacavém, à degradação ambiental e territorial da zona Tejo Trancão e à destruição do projecto regenerador da EXPO-98.

E tudo farei para saber se por aqui não andarão réplicas de outros famigerados casos ocorridos na margem sul do Tejo.

Ninguém me convence que a promoção destas coisas são para benefício público, para assegurar qualidade de vida às pessoas, para desenvolver as Cidades.
Não acredito!

2.4.09

Prolegómenos ante-eleitorais I



QUE NÃO FALTE O VOTO… NEM QUE SEJA BRANCO.

Que vamos ter várias eleições este ano, é já coisa mais ou menos do conhecimento geral, embora não estejamos livres – como é hábito – de no dia de cada uma das eleições, em sagazes reportagens de rua das nossas televisões, verificarmos que há uns quantos portugueses, acabados de chegar da diáspora… em Marte, a dizer: Há eleições ?!... Ohhhh, não sabia!

O refúgio argumentativo será o do costume: que os políticos são todos iguais, que quem anda nessas coisas da política quer é poleiro, que a política é uma inútil e artificial discussão permanente e inclusiva, entre outros aprofundamentos mais ou menos filosóficos.

Assim, acantonados em meia dúzia de lugares comuns e filosofias de chinelo de enfiar no dedo, muitos transferem para outros a responsabilidade de fazerem alguma coisa por si próprios e… pelos outros.

Sendo certo que a vida política portuguesa e europeia não são propriamente virtuosas, sendo certo que os políticos e os partidos políticos prevalecentes não são exactamente a confirmação dos ideais de esperança, liberdade, democracia e desenvolvimento que a revolução de Abril de 1974 prometia, sendo certo que a crise nacional a que se vieram somar as crises europeia e internacional, não são culpa de outros que não daqueles que têm conduzido a política, as políticas, a economia e as relações internacionais e que tudo isto tem rostos, tem protagonistas e activistas militantes.

Sendo tudo isto certo, o que menos funciona, o que menos se deve aplicar, o que menos se deve defender, será o absentismo, o abstencionismo, o alheamento, a alienação de responsabilidades.

Tal como não podemos esperar ir despejar os filhos à porta da escola à espera que esta faça deles Homens e Mulheres, também não será de esperar que resulte a deposição das nossas vontades, das nossas necessidades, dos nossos objectivos, das nossas aspirações, em mãos incertas para fazerem medrar os nossos propósitos e desenvolver o país.

Não resultou em lado nenhum. Não vai resultar cá.

Á volta à coisa não será dada com as repetidamente afirmadas “reformas” e o sacrossanto “reformismo”, que pouco mais querem dizer que manter tudo na mesma alterando a decoração.

Ao estado a que chegamos, são precisas mudanças sérias, claras, profundas, sob pena de prosseguirem os ciclos de crise, com muitos a pagarem e uns quantos a enriquecerem.

Não advogo uma revolução armada, mas é precisa uma revolução no voto e no modo de o encarar. Como se disse já há uns anos, acertadamente, o voto é uma arma.

Usemo-la então para promover a mudança, para uma nova esperança, novos objectivos, nova vida.

A abstenção tem sido desde sempre lida, pelos detentores do poder, como uma espécie de quem cala consente, logo, não comparecer, voltar costas, não é mais do que um cheque em branco aos protagonistas das crises, das falências, do desemprego, do endividamento, dos escândalos, das nossas dificuldades quotidianas.

Que fazer ?!... Votar, afastando os do costume, dando oportunidade aos outros ou, no mínimo, votar em branco em sinal de descontentamento com as condutas partidárias, os programas políticos ou com as personagens eleitorais.

Essa será, do meu ponto de vista, a atitude necessária e se calhar suficiente para abanar o sistema, o questionar e obrigar à reflexão e mudança.

Portanto, que não falte o voto… nem que seja branco!

4.3.09

Cabeça de lista com pouca cabeça

O cabeça de lista do PS ao Parlamento Europeu está com pouca cabeça... para contas.

Há gente, que por mais contas que faça com o seu passado, nunca tem contas feitas. Não sei se são dificuldades com o passado ou com as contas propriamente ditas...

Ó nosso primeiro, ofereça um magalhães ao homem para o ajudar nas contas e com a memória!

Se este ilustre "opinador" nacional, no Parlamento Europeu, estudar os assuntos como estudou este, vamos ter um excelente representante da manipulação gratuita ou da ignorância ilustrada.

Com a devida vénia, reproduzo abaixo um texto de Guilherme da Fonseca-Statter, a propósito.


"A propósito de mais um Aniversário da Revolução Cubana


É de longa data a ideia de que é de bom-tom, ou politicamente correcto, desancar naquilo que terá sido conseguido em Cuba depois da tomada do poder por parte dos revolucionários liderados por Fidel de Castro.


A julgar pelo teor de alguns dos escritos que tenho encontrado, designadamente na imprensa portuguesa e a acreditar nos relatos de alguns dos turistas que até lá vão passar umas férias, aquilo é mesmo uma miséria... Alguns dizem-me que a cidade de Havana estará numa decadência, com alguns dos edifícios mais nobres da cidade com aspecto profundamente degradado. Nesse particular respeito, os turistas portugueses não precisavam de ir tão longe. Bastava-lhes dar uma volta pelos bairros antigos de Lisboa ou do Porto... Mas enfim, cada um vê aquilo que quer ver. Segundo ouvi na rádio aqui há uns dias, alguém se queixava de que “não havia dinheiro” para recuperar grande parte do património histórico e cultural português. Julgo também ter ouvido que cerca de 40% desse património, classificado como sendo de interesse pela própria UNESCO, estaria em risco de degradação total e definitiva.


Voltando à questão do quinquagésimo aniversário da Revolução Cubana, pareceu a alguns comentadores ser oportuno fazer uma espécie de balanço. Seria portanto ocasião para se colocar em dois pratos de uma balança analítica, aquilo que de positivo e de negativo aconteceu (ou se deixou acontecer) em Cuba ao longo destes últimos cinquenta anos. Seria de esperar que, a esse respeito, se fizesse também uma, ainda que sucinta ou rudimentar, listagem dos condicionamentos externos e dos múltiplos factores intervenientes que tenham interferido e afectado o desenrolar “normal” dos acontecimentos naquele país.


Uma coisa é insofismável. Vive-se em Cuba em regime de ditadura de um só partido. Tal como é insofismável que se vive nos Estados Unidos em regime de ditadura de só dois partidos. Aquando da condenação à morte de uns dissidentes cubanos, tive ocasião de me manifestar contra. Até pela simples razão de que, como princípio ético geral, sou contra a pena de morte. E ponto final. No entanto já não sou contra penas de trabalhos forçados. Coisa que certamente escandalizará muitos espíritos bem pensantes. E no caso dos tais dissidentes tive ocasião de perguntar porque razão eles não eram antes condenados a estudar uns calhamaços quaisquer (já nem me lembro bem quais...), de fio a pavio, alternando esse estudo com a tarefa de partir pedra – por exemplo - para a reparação de estradas e caminhos de interesse público. Mas estou a desviar-me do assunto...


Uma vez reconhecida a situação de “ditadura do proletariado”, seria de interesse avançar para os resultados alcançados. Uma vez feita essa avaliação seria razoável imaginar o que poderia ter sido alcançado se os tivessem deixado em paz... Designadamente se não houvesse o boicote declarado pelos Estados Unidos, logo a seguir à nacionalização – sem indemnização – das empresas norte-americanas que até aí se tinham entretido a explorar recursos cubanos, com a corrupta conivência da ditadura de Fulgêncio Baptista. Seria também da mais elementar honestidade intelectual assinalar que enquanto a ditadura de Baptista era aceite e apoiada pela administração norte-americana, já a outra ditadura, a dos revolucionários liderados por Fidel de Castro, essa era inaceitável...


Imaginemos como poderia ter sido... Se não houvesse boicote dos Estados Unidos, teria havido (tem havido...) empresários norte-americanos interessados em ali investir, sem ser em casinos e bordéis de luxo. Foram investir na China comunista, porque razão não haviam de investir em Cuba, ali muito mais à mão e com praias maravilhosas. Mas, se não houvesse muitas empresas americanas interessadas, provavelmente haveria canadianas e europeias, se a interdição e boicote dos Estados Unidos não se estendesse, por via indirecta, a todos os países e empresas que negociassem com Cuba...


Pois é. Mesmo assim, sem qualquer tentativa de analisar minimamente as causas da actual situação de Cuba (a ilação subliminar acaba por ser clara – gato escondido com o rabo de fora – “a culpa é toda da ditadura”...), mesmo assim alguns comentadores sempre vão dizendo algumas coisas como “Economicamente, Cuba é hoje um dos países mais pobres da América Latina” (Vital Moreira, 6 de Janeiro de 2009 in “A Revolução Exangue”).


Mais adiante, diz-nos o mesmo comentador que “Nos principais índices de bem-estar material de uma sociedade moderna, Cuba ocupa sistematicamente os lugares inferiores em termos comparados. Os níveis de rendimento são em geral muito baixos”. Vamos por partes.


A América Latina é um conjunto de 24 países independentes, sendo 21 de língua espanhola, 2 de língua francesa e 1 de língua portuguesa. Penso que será razoável interpretar aquela afirmação de Vital Moreira “um dos países mais pobres da América Latina”, como querendo significar que estaria entre os últimos lugares de uma qualquer classificação relativamente à economia, strictu senso.


Fui ver e verifiquei que não é bem assim.


De acordo com as estimativas da CIA (o Banco Mundial e o FMI ignoram Cuba...) o PIB de Cuba (em paridade de poder de compra) era em 2007 de 125.500 milhões de dólares. Estava em 57º lugar numa tabela elaborada a partir dos dados daquela Agência Central de Informação dos Estados Unidos.


De acordo com as mesmas estimativas, Cuba aparece em 73º lugar mundial, mas em 6º lugar entre os países da América Latina. Com base em cálculos que levam em linha de conta as necessidades alimentares, para uma vida saudável, de um agregado familiar, despesas adicionais de habitação em conforto médio de acordo com normas socialmente aceites, incluindo acesso a água, electricidade, e serviços de sanidade pública, e considerando que a instituições como o Banco Mundial e o FMI, só porque a vida económica em Cuba não obedece lá aos cânones da sua ortodoxia neoliberal, simplesmente ignoram a existência daquele país, com base nesse tipo de cálculos, a CIA (imagine-se) atribui a Cuba um rendimento per capita anual, equivalente a 11.000 dólares. A mesma CIA atribui os seguintes valores a outros países da América Latina:


Chile 14.300
Argentina 13.100
Venezuela 12.800
México 12.400
Costa Rica 11.100
Cuba 11.000
Uruguai 10.800
Panamá 10.700
Brasil 9.500
Peru 7.600
Equador 7.200
Guatemala 5.100
Paraguai 4.000
Haiti 1.300


Afinal não era bem assim. Se calhar Vital Moreira queria dizer que ”um dos países menos pobres” ou então ”um dos países mais ricos da América Latina”.


A menos que, e digo isto sem qualquer ponta de sarcasmo, o senhor Vital Moreira tenha um critério pessoal de medir a riqueza económica dos países. Por exemplo, quantas lojas há de comércio de luxo, ou quantos automóveis de alta cilindrada de último modelo, ou ainda quantos jornais desportivos, sei lá...


Já no que diz respeito à sua afirmação de que “Nos principais índices de bem-estar material de uma sociedade moderna, Cuba ocupa sistematicamente os lugares inferiores em termos comparados”, também seria bom saber o que se entende “índices de bem estar material de uma sociedade moderna”. À falta de melhor tenho que me socorrer dos dados do PNUD-Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.


Com base em ideias do prémio "Nobel" da Economia Amartya Sen, o PNUD desenvolveu uma metodologia, considerada bastante mais completa do que a simples indicação do “PIB per capita”, para medir o grau de desenvolvimento humano (mais abrangente) dos diversos países... São elaborados com base em estatísticas, observações e inquéritos periódicos no terreno. Este índice combina os elementos fundamentais da saúde, do rendimento e da escolaridade. Refinaram também com índices do desenvolvimento do género (a questão da mulher na sociedade), assim como o índice de desigualdade na distribuição do rendimento e da riqueza.


Pois bem, de acordo com as últimas estatísticas do PNUD, Cuba está bastante bem e recomenda-se... Em alguns casos está mesmo muito melhor do que muitos países da dita cuja América Latina.


Em 2003, por exemplo, na listagem do HDI (Human Development Índice de Desenvolvimento Humano) do PNUD, em que no topo da tabela está a Islândia (com 0,968). Cuba estava com 0,817 e à sua frente – na América Latina - apenas estavam a Argentina, o Chile e o Uruguai (sempre com diferenças mínimas. Já em 2005, estava também a Costa Rica. Mesmo assim o índice de desenvolvimento humano de Cuba tinha subido para 0,838. No peso das crianças com menos de 5 anos de idade, por exemplo, um bom indicador da saúde "social!, estava em 24º lugar mundial.


Na questão da literacia de adultos estavam em primeiro lugar (mundial).


Moral da estória, os funcionários da CIA (imagine-se!...) que elaboram aquelas estimativas, assim como os especialistas das Nações Unidas, estão todos enfeudados ao regime cubano.


Só pode...
P.S. – Todos os dados numéricos aqui referidos estão disponíveis nos sítios das instituições indicadas, nomeadamente o CIA Factbook e o UNDP (ou PNUD). Também lá se pode chegar através de Wikipedia, assim como, no caso do PNUD, pelos Relatórios Anuais disponíveis em Ana Paula Faria Editora, Lisboa."

17.12.08

Também tenho um plano de combate à crise.

Tenho tido muito pouco tempo para escrever. E se esta crise - e todos os seus lamentáveis episódios - tem matéria para reflexão em voz alta e pena afiada...

Contudo, fui aproveitando para congeminar o meu plano anti-crise que hoje, aqui e agora, torno público.

Na linha da aflição demonstrada pelos governos mais poderosos e da preocupação, empenho e criatividade dos políticos mais ilustres de aquém e além mar, eis-me alcandroado a um nível de pensamento global só ao alcance de um Barroso, Sarkozy ou Berlusconi, políticos de elevadíssima craveira.

E o que é curioso, é que o meu plano é da mais modesta e límpida simplicidade e nem precisa de recorrer ao dialecto economez/financez para ser explicado. Sem mais delongas, vamos à coisa:

Os dois dados de base:

1. Os políticos em cada país são eleitos para representarem os seus eleitores, para dirigirem a economia, as finanças e todos os outros demais domínios da governação. Foram eleitos para liderar e não para serem liderados ou tutelados por interesses particulares ou pelo estrito grupo dos endinheirados e poderosos;

2. Mas se nas actuais circunstâncias não lideram nada, se estão na mão de quem não tem de mandar, se em vez de dirigirem são dirigidos, se isso provoca crises cíclicas e cada vez mais graves, se isso depaupera o planeta, se isso fomenta a guerra, se isso provoca o alastramento da fome e da pobreza;

A solução anti-crise só pode ser uma: Fazer o poder mudar de mãos. Promover outro exercício do poder. Exigir - quotidianamente - outras políticas. Ou seja, os senhores que estão e que estiveram, façam favor de sair!

Não vejo outra solução, para pôr termo às crises e ao aperto do cinto, ano após ano, legislatura após legislatura.

Serei ingénuo ? Não creio.

Ingénuos serão certamente aqueles que acreditam e repetem as balalelas da "regulação", das "reformas", dos "mercados", da "livre concorrência" e outros chavões martelados até à exaustão por órgãos de comunicação social, políticos ao serviço do status quo e economistas subjugados ou dependentes dos restos que lhes deixam os "afortunados" do sistema.

Até a Bela Adormecida um dia acordou!

O pior seria mesmo acordarmos sobressaltados por fenómenos - globais - descontrolados como o que grassa na Grécia. E toda a gente já percebeu que aquilo não é um problema de polícia, não já ?!... Tal como na França não foi.

O ingénuo serei eu ?!...

Portanto, proponho para combate sério à crise: vamos à mudança. mudemos os políticos. rejeitemos todos que transportam no seu bojo político os germens das crises!

Salvem os ricos!

7.11.08

Nas próximas eleições


No próximo ano teremos vários actos eleitorais.


Seguramente, num ano marcado pela crise (há quantos anos não o são ?!...) financeira e, tudo o indica, económica. Marcado por mais desemprego, por uma educação de pantanas, por um código de trabalho leonino em desfavor dos trabalhadores, por tribunais a cairem, por uma saúde desenganada, pela nacionalização dos prejuízos dos especuladores financeiros e a privatização dos lucros das empresas estratégicas, por um primeiro-ministro a vender computadores "baratos e resistentes" e um sem número de outras originalidades nacionais.


A situação em que nos encontramos parece-me ao mesmo tempo grave e ridícula que não sei se devo ficar preocupado ou se devo gargalhar com a pantomina em que se tornou a vida nacional.


Seja como fôr, acho que precisamos todos fazer alguma coisa e abanar seriamente o sistema nas próximas eleições, em todas elas.


Do meu ponto de vista, isso pode passar por "penalizar" eleitoralmente os partidos que têm governado e são responsáveis pelas sucessivas crises, que prometem e não cumprem, que tudo fazem em prol da concentração da riqueza em muito poucos, que espatifam o território em negociatas, que nos esmagam com impostos e obrigações fiscais e nada melhoram na nossa vida quotidiana, nem se vislumbram vantagens futuras.


E é tão simples: que cada um escolha um segundo partido em que melhor se reveja - que não sejam o PS, o PSD e o CDS, partidos das crises - e votem nele. Qualquer outro voto ou o voto em branco, farão mais por nós dos que PS-PSD-CDS juntos de há 30 anos a esta parte.


Ou lhes damos uma lição ou continuaremos a pagar crise após crise, com língua de palmo.


A escolha é nossa!

29.9.08

Robin dos Bosques ao contrário ?


Os EUA, passam a vida a tentar ter história e a fazer história e, vezes sem conta, a tentar mudar a história.

Este problema de identidade, recorrente, tanto lhes dá para o bem como para o mal (a dictomia que as Administrações americanas e Hollywood tanto gostam para simplificar artificialmente o mundo e, em regra, fazerem como Salazar: quem não é por mim, é contra mim!)

Agora, decidiram criar um novo Robin dos Bosques. Ou seja, a versão malévola do original: o Robin dos Bosques que rouba aos pobres para dar aos ricos, chamando-se oficialmente Lei para a Estabilidade Económica de Emergência.

Resumida e simplificadamente, a lógica desta coisa é assim: quando os especuladores de Wall Street lucram milhões e milhões de dólares com as suas actividades bem pouco produtivas, magnífico. Disputam a sua classificação no ranking dos ricos da Revista Forbes, exibem a sua opulência, dão-nos conselhos de como governar a nossa casa e o nosso país e não me lembro, de que alguma vez tenham dividido os fabulosos lucros com os contribuintes e com os trabalhadores.

Quando a actividade especulativa e as vigarices lhes correm mal e arrastam as economias para o descalabro, então há que dividir o prejuízo por todos.

Ou seja, salva-se a especulação, os bancos, a livre concorrência e o sacrossanto mercado, com os impostos daqueles que trabalham honestamente e, quantas vezes, com sacríficios inexplicáveis, tal a carga de impostos que têm sobre os magros salários.

Hoje, logo pela manhã, ainda me consegui espantar com o que ouvia numa rádio. Assegurava o jornalista de serviço, que a Administração norte-americana, desejava com este seu "plano" para "salvar" a economia, "assegurar a rentabilidade dos accionistas" dos bancos em risco de falência.

E mais não digo. Que cada um julgue os Bushs, Barrosos, Sarkozys e Sócrates que pululam por aí a endeusar "o mercado", "as economias globalizadas", "o empreendorismo" e a "governância".

As consequências para o bolso e vida dos contribuintes estão à vista...

Alguém conhece um “plano” semelhante para “salvar” os trabalhadores insolventes que já não conseguem pagar as suas casas aos Bancos em consequência dos aumentos das taxas de juro, dos aumentos especulativos dos preços dos combustíveis - e em resultado -, dos aumentos dos bens alimentares, dos preços da saúde e da educação?

30.8.08

ATÉ SEMPRE QUERIDO CAMARADA


Que mais poderei dizer neste momento de profunda mágoa e revolta ? De certeza um dos poucos, um dos últimos, a quem tenho o gosto, o prazer, a confiança, a certeza de poder tratar por camarada.

Até já, meu amigo.

26.7.08

PS na Câmara de Loures chumba propostas ponderadas da CDU

Quinta da Fonte - Apelação

Vereadores da CDU propuseram medidas urgentes, mas a maioria, como habitualmente, não quis ouvir, nem quis saber. Chumbou todas as propostas. Ver em:

Lamentável e triste. A ansia de obter vantagem política e as tentativas de responsabilizar antecessores até pode vir a render alguns votos, mas de certeza não resolverá qualquer problema de forma séria e sustentada.
A ver vamos como correrão em São João da Talha e Camarate os processos de realojamento conduzidos por este executivo municipal.