
Este espaço é de opinião. Concentra opinião publicada por outros meios, mas também textos originais. Uma e outros têm uma coisa em comum: expressam ideias e pontos de vista próprios, por vezes, fora do carreiro.
31.3.09
4.3.09
Cabeça de lista com pouca cabeça
O cabeça de lista do PS ao Parlamento Europeu está com pouca cabeça... para contas.Há gente, que por mais contas que faça com o seu passado, nunca tem contas feitas. Não sei se são dificuldades com o passado ou com as contas propriamente ditas...
Ó nosso primeiro, ofereça um magalhães ao homem para o ajudar nas contas e com a memória!
Se este ilustre "opinador" nacional, no Parlamento Europeu, estudar os assuntos como estudou este, vamos ter um excelente representante da manipulação gratuita ou da ignorância ilustrada.
Com a devida vénia, reproduzo abaixo um texto de Guilherme da Fonseca-Statter, a propósito.
A julgar pelo teor de alguns dos escritos que tenho encontrado, designadamente na imprensa portuguesa e a acreditar nos relatos de alguns dos turistas que até lá vão passar umas férias, aquilo é mesmo uma miséria... Alguns dizem-me que a cidade de Havana estará numa decadência, com alguns dos edifícios mais nobres da cidade com aspecto profundamente degradado. Nesse particular respeito, os turistas portugueses não precisavam de ir tão longe. Bastava-lhes dar uma volta pelos bairros antigos de Lisboa ou do Porto... Mas enfim, cada um vê aquilo que quer ver. Segundo ouvi na rádio aqui há uns dias, alguém se queixava de que “não havia dinheiro” para recuperar grande parte do património histórico e cultural português. Julgo também ter ouvido que cerca de 40% desse património, classificado como sendo de interesse pela própria UNESCO, estaria em risco de degradação total e definitiva.
Voltando à questão do quinquagésimo aniversário da Revolução Cubana, pareceu a alguns comentadores ser oportuno fazer uma espécie de balanço. Seria portanto ocasião para se colocar em dois pratos de uma balança analítica, aquilo que de positivo e de negativo aconteceu (ou se deixou acontecer) em Cuba ao longo destes últimos cinquenta anos. Seria de esperar que, a esse respeito, se fizesse também uma, ainda que sucinta ou rudimentar, listagem dos condicionamentos externos e dos múltiplos factores intervenientes que tenham interferido e afectado o desenrolar “normal” dos acontecimentos naquele país.
Uma coisa é insofismável. Vive-se em Cuba em regime de ditadura de um só partido. Tal como é insofismável que se vive nos Estados Unidos em regime de ditadura de só dois partidos. Aquando da condenação à morte de uns dissidentes cubanos, tive ocasião de me manifestar contra. Até pela simples razão de que, como princípio ético geral, sou contra a pena de morte. E ponto final. No entanto já não sou contra penas de trabalhos forçados. Coisa que certamente escandalizará muitos espíritos bem pensantes. E no caso dos tais dissidentes tive ocasião de perguntar porque razão eles não eram antes condenados a estudar uns calhamaços quaisquer (já nem me lembro bem quais...), de fio a pavio, alternando esse estudo com a tarefa de partir pedra – por exemplo - para a reparação de estradas e caminhos de interesse público. Mas estou a desviar-me do assunto...
Uma vez reconhecida a situação de “ditadura do proletariado”, seria de interesse avançar para os resultados alcançados. Uma vez feita essa avaliação seria razoável imaginar o que poderia ter sido alcançado se os tivessem deixado em paz... Designadamente se não houvesse o boicote declarado pelos Estados Unidos, logo a seguir à nacionalização – sem indemnização – das empresas norte-americanas que até aí se tinham entretido a explorar recursos cubanos, com a corrupta conivência da ditadura de Fulgêncio Baptista. Seria também da mais elementar honestidade intelectual assinalar que enquanto a ditadura de Baptista era aceite e apoiada pela administração norte-americana, já a outra ditadura, a dos revolucionários liderados por Fidel de Castro, essa era inaceitável...
Imaginemos como poderia ter sido... Se não houvesse boicote dos Estados Unidos, teria havido (tem havido...) empresários norte-americanos interessados em ali investir, sem ser em casinos e bordéis de luxo. Foram investir na China comunista, porque razão não haviam de investir em Cuba, ali muito mais à mão e com praias maravilhosas. Mas, se não houvesse muitas empresas americanas interessadas, provavelmente haveria canadianas e europeias, se a interdição e boicote dos Estados Unidos não se estendesse, por via indirecta, a todos os países e empresas que negociassem com Cuba...
Pois é. Mesmo assim, sem qualquer tentativa de analisar minimamente as causas da actual situação de Cuba (a ilação subliminar acaba por ser clara – gato escondido com o rabo de fora – “a culpa é toda da ditadura”...), mesmo assim alguns comentadores sempre vão dizendo algumas coisas como “Economicamente, Cuba é hoje um dos países mais pobres da América Latina” (Vital Moreira, 6 de Janeiro de 2009 in “A Revolução Exangue”).
Mais adiante, diz-nos o mesmo comentador que “Nos principais índices de bem-estar material de uma sociedade moderna, Cuba ocupa sistematicamente os lugares inferiores em termos comparados. Os níveis de rendimento são em geral muito baixos”. Vamos por partes.
A América Latina é um conjunto de 24 países independentes, sendo 21 de língua espanhola, 2 de língua francesa e 1 de língua portuguesa. Penso que será razoável interpretar aquela afirmação de Vital Moreira “um dos países mais pobres da América Latina”, como querendo significar que estaria entre os últimos lugares de uma qualquer classificação relativamente à economia, strictu senso.
Fui ver e verifiquei que não é bem assim.
De acordo com as estimativas da CIA (o Banco Mundial e o FMI ignoram Cuba...) o PIB de Cuba (em paridade de poder de compra) era em 2007 de 125.500 milhões de dólares. Estava em 57º lugar numa tabela elaborada a partir dos dados daquela Agência Central de Informação dos Estados Unidos.
De acordo com as mesmas estimativas, Cuba aparece em 73º lugar mundial, mas em 6º lugar entre os países da América Latina. Com base em cálculos que levam em linha de conta as necessidades alimentares, para uma vida saudável, de um agregado familiar, despesas adicionais de habitação em conforto médio de acordo com normas socialmente aceites, incluindo acesso a água, electricidade, e serviços de sanidade pública, e considerando que a instituições como o Banco Mundial e o FMI, só porque a vida económica em Cuba não obedece lá aos cânones da sua ortodoxia neoliberal, simplesmente ignoram a existência daquele país, com base nesse tipo de cálculos, a CIA (imagine-se) atribui a Cuba um rendimento per capita anual, equivalente a 11.000 dólares. A mesma CIA atribui os seguintes valores a outros países da América Latina:
Chile 14.300
Argentina 13.100
Venezuela 12.800
México 12.400
Costa Rica 11.100
Cuba 11.000
Uruguai 10.800
Panamá 10.700
Brasil 9.500
Peru 7.600
Equador 7.200
Guatemala 5.100
Paraguai 4.000
Haiti 1.300
Argentina 13.100
Venezuela 12.800
México 12.400
Costa Rica 11.100
Cuba 11.000
Uruguai 10.800
Panamá 10.700
Brasil 9.500
Peru 7.600
Equador 7.200
Guatemala 5.100
Paraguai 4.000
Haiti 1.300
Afinal não era bem assim. Se calhar Vital Moreira queria dizer que ”um dos países menos pobres” ou então ”um dos países mais ricos da América Latina”.
A menos que, e digo isto sem qualquer ponta de sarcasmo, o senhor Vital Moreira tenha um critério pessoal de medir a riqueza económica dos países. Por exemplo, quantas lojas há de comércio de luxo, ou quantos automóveis de alta cilindrada de último modelo, ou ainda quantos jornais desportivos, sei lá...
Já no que diz respeito à sua afirmação de que “Nos principais índices de bem-estar material de uma sociedade moderna, Cuba ocupa sistematicamente os lugares inferiores em termos comparados”, também seria bom saber o que se entende “índices de bem estar material de uma sociedade moderna”. À falta de melhor tenho que me socorrer dos dados do PNUD-Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
Com base em ideias do prémio "Nobel" da Economia Amartya Sen, o PNUD desenvolveu uma metodologia, considerada bastante mais completa do que a simples indicação do “PIB per capita”, para medir o grau de desenvolvimento humano (mais abrangente) dos diversos países... São elaborados com base em estatísticas, observações e inquéritos periódicos no terreno. Este índice combina os elementos fundamentais da saúde, do rendimento e da escolaridade. Refinaram também com índices do desenvolvimento do género (a questão da mulher na sociedade), assim como o índice de desigualdade na distribuição do rendimento e da riqueza.
Pois bem, de acordo com as últimas estatísticas do PNUD, Cuba está bastante bem e recomenda-se... Em alguns casos está mesmo muito melhor do que muitos países da dita cuja América Latina.
Em 2003, por exemplo, na listagem do HDI (Human Development Índice de Desenvolvimento Humano) do PNUD, em que no topo da tabela está a Islândia (com 0,968). Cuba estava com 0,817 e à sua frente – na América Latina - apenas estavam a Argentina, o Chile e o Uruguai (sempre com diferenças mínimas. Já em 2005, estava também a Costa Rica. Mesmo assim o índice de desenvolvimento humano de Cuba tinha subido para 0,838. No peso das crianças com menos de 5 anos de idade, por exemplo, um bom indicador da saúde "social!, estava em 24º lugar mundial.
Na questão da literacia de adultos estavam em primeiro lugar (mundial).
Moral da estória, os funcionários da CIA (imagine-se!...) que elaboram aquelas estimativas, assim como os especialistas das Nações Unidas, estão todos enfeudados ao regime cubano.
Só pode...
P.S. – Todos os dados numéricos aqui referidos estão disponíveis nos sítios das instituições indicadas, nomeadamente o CIA Factbook e o UNDP (ou PNUD). Também lá se pode chegar através de Wikipedia, assim como, no caso do PNUD, pelos Relatórios Anuais disponíveis em Ana Paula Faria Editora, Lisboa."
17.12.08
Também tenho um plano de combate à crise.
Tenho tido muito pouco tempo para escrever. E se esta crise - e todos os seus lamentáveis episódios - tem matéria para reflexão em voz alta e pena afiada...Contudo, fui aproveitando para congeminar o meu plano anti-crise que hoje, aqui e agora, torno público.
Na linha da aflição demonstrada pelos governos mais poderosos e da preocupação, empenho e criatividade dos políticos mais ilustres de aquém e além mar, eis-me alcandroado a um nível de pensamento global só ao alcance de um Barroso, Sarkozy ou Berlusconi, políticos de elevadíssima craveira.
E o que é curioso, é que o meu plano é da mais modesta e límpida simplicidade e nem precisa de recorrer ao dialecto economez/financez para ser explicado. Sem mais delongas, vamos à coisa:
Os dois dados de base:
1. Os políticos em cada país são eleitos para representarem os seus eleitores, para dirigirem a economia, as finanças e todos os outros demais domínios da governação. Foram eleitos para liderar e não para serem liderados ou tutelados por interesses particulares ou pelo estrito grupo dos endinheirados e poderosos;
2. Mas se nas actuais circunstâncias não lideram nada, se estão na mão de quem não tem de mandar, se em vez de dirigirem são dirigidos, se isso provoca crises cíclicas e cada vez mais graves, se isso depaupera o planeta, se isso fomenta a guerra, se isso provoca o alastramento da fome e da pobreza;
A solução anti-crise só pode ser uma: Fazer o poder mudar de mãos. Promover outro exercício do poder. Exigir - quotidianamente - outras políticas. Ou seja, os senhores que estão e que estiveram, façam favor de sair!
Não vejo outra solução, para pôr termo às crises e ao aperto do cinto, ano após ano, legislatura após legislatura.
Serei ingénuo ? Não creio.
Ingénuos serão certamente aqueles que acreditam e repetem as balalelas da "regulação", das "reformas", dos "mercados", da "livre concorrência" e outros chavões martelados até à exaustão por órgãos de comunicação social, políticos ao serviço do status quo e economistas subjugados ou dependentes dos restos que lhes deixam os "afortunados" do sistema.
Até a Bela Adormecida um dia acordou!
O pior seria mesmo acordarmos sobressaltados por fenómenos - globais - descontrolados como o que grassa na Grécia. E toda a gente já percebeu que aquilo não é um problema de polícia, não já ?!... Tal como na França não foi.
O ingénuo serei eu ?!...
Portanto, proponho para combate sério à crise: vamos à mudança. mudemos os políticos. rejeitemos todos que transportam no seu bojo político os germens das crises!
18.11.08
7.11.08
Nas próximas eleições

No próximo ano teremos vários actos eleitorais.
Seguramente, num ano marcado pela crise (há quantos anos não o são ?!...) financeira e, tudo o indica, económica. Marcado por mais desemprego, por uma educação de pantanas, por um código de trabalho leonino em desfavor dos trabalhadores, por tribunais a cairem, por uma saúde desenganada, pela nacionalização dos prejuízos dos especuladores financeiros e a privatização dos lucros das empresas estratégicas, por um primeiro-ministro a vender computadores "baratos e resistentes" e um sem número de outras originalidades nacionais.
A situação em que nos encontramos parece-me ao mesmo tempo grave e ridícula que não sei se devo ficar preocupado ou se devo gargalhar com a pantomina em que se tornou a vida nacional.
Seja como fôr, acho que precisamos todos fazer alguma coisa e abanar seriamente o sistema nas próximas eleições, em todas elas.
Do meu ponto de vista, isso pode passar por "penalizar" eleitoralmente os partidos que têm governado e são responsáveis pelas sucessivas crises, que prometem e não cumprem, que tudo fazem em prol da concentração da riqueza em muito poucos, que espatifam o território em negociatas, que nos esmagam com impostos e obrigações fiscais e nada melhoram na nossa vida quotidiana, nem se vislumbram vantagens futuras.
E é tão simples: que cada um escolha um segundo partido em que melhor se reveja - que não sejam o PS, o PSD e o CDS, partidos das crises - e votem nele. Qualquer outro voto ou o voto em branco, farão mais por nós dos que PS-PSD-CDS juntos de há 30 anos a esta parte.
Ou lhes damos uma lição ou continuaremos a pagar crise após crise, com língua de palmo.
A escolha é nossa!
29.9.08
Robin dos Bosques ao contrário ?

Os EUA, passam a vida a tentar ter história e a fazer história e, vezes sem conta, a tentar mudar a história.
Este problema de identidade, recorrente, tanto lhes dá para o bem como para o mal (a dictomia que as Administrações americanas e Hollywood tanto gostam para simplificar artificialmente o mundo e, em regra, fazerem como Salazar: quem não é por mim, é contra mim!)
Agora, decidiram criar um novo Robin dos Bosques. Ou seja, a versão malévola do original: o Robin dos Bosques que rouba aos pobres para dar aos ricos, chamando-se oficialmente Lei para a Estabilidade Económica de Emergência.
Resumida e simplificadamente, a lógica desta coisa é assim: quando os especuladores de Wall Street lucram milhões e milhões de dólares com as suas actividades bem pouco produtivas, magnífico. Disputam a sua classificação no ranking dos ricos da Revista Forbes, exibem a sua opulência, dão-nos conselhos de como governar a nossa casa e o nosso país e não me lembro, de que alguma vez tenham dividido os fabulosos lucros com os contribuintes e com os trabalhadores.
Quando a actividade especulativa e as vigarices lhes correm mal e arrastam as economias para o descalabro, então há que dividir o prejuízo por todos.
Ou seja, salva-se a especulação, os bancos, a livre concorrência e o sacrossanto mercado, com os impostos daqueles que trabalham honestamente e, quantas vezes, com sacríficios inexplicáveis, tal a carga de impostos que têm sobre os magros salários.
Hoje, logo pela manhã, ainda me consegui espantar com o que ouvia numa rádio. Assegurava o jornalista de serviço, que a Administração norte-americana, desejava com este seu "plano" para "salvar" a economia, "assegurar a rentabilidade dos accionistas" dos bancos em risco de falência.
E mais não digo. Que cada um julgue os Bushs, Barrosos, Sarkozys e Sócrates que pululam por aí a endeusar "o mercado", "as economias globalizadas", "o empreendorismo" e a "governância".
As consequências para o bolso e vida dos contribuintes estão à vista...
Alguém conhece um “plano” semelhante para “salvar” os trabalhadores insolventes que já não conseguem pagar as suas casas aos Bancos em consequência dos aumentos das taxas de juro, dos aumentos especulativos dos preços dos combustíveis - e em resultado -, dos aumentos dos bens alimentares, dos preços da saúde e da educação?
30.8.08
ATÉ SEMPRE QUERIDO CAMARADA
26.7.08
PS na Câmara de Loures chumba propostas ponderadas da CDU
Quinta da Fonte - Apelação
Vereadores da CDU propuseram medidas urgentes, mas a maioria, como habitualmente, não quis ouvir, nem quis saber. Chumbou todas as propostas. Ver em:
Vereadores da CDU propuseram medidas urgentes, mas a maioria, como habitualmente, não quis ouvir, nem quis saber. Chumbou todas as propostas. Ver em:
Lamentável e triste. A ansia de obter vantagem política e as tentativas de responsabilizar antecessores até pode vir a render alguns votos, mas de certeza não resolverá qualquer problema de forma séria e sustentada.
A ver vamos como correrão em São João da Talha e Camarate os processos de realojamento conduzidos por este executivo municipal.
22.7.08
Demétrio Alves põe pontos nos iis !...
Com o maior gosto, reproduzo aqui e divulgo o texto de Demétrio Alves a propósito dos acontecimentos da Quinta da Fonte e as tentativas que têm sido feitas de o responsabilizar políticamente:

A (des) propósito do caso da Quinta da Fonte, o blogue Tomar Partido reproduziu um comentário bolçado por um tal Barão das Neves, pelos vistos amigo do autor do referido blogue, que, devido ao seu cariz difamatório, me merece o mais vivo repúdio.
O citado indivíduo, num estilo que tem sido habitual em determinados meios, veio invocar factos não verídicos pretendendo atingir-me, como se eu tivesse sido alguma vez acusado ou condenado judicialmente por esses factos.
De facto, apenas fui acusado por gente anónima que, cobardemente, pôs a circular algumas atoardas, pretendendo prejudicar-me em tempos eleitorais, o que não conseguiram. Já depois de ter saído de funções, em 1999, por minha exclusiva vontade, e em protesto pela forma como foi criado o concelho de Odivelas, puseram a circular que eu teria ido para Moçambique onde supostamente teria acumulado uma grande fortuna.
Não emigrei nem desapareci, como diz o Barão. Estou e sempre estive em Portugal, trabalhando e estudando, porque não vivo de rendimentos ou de negócios.
É por estas e por outras que sou obrigado a ponderar a hipótese de, aceitando convites que me têm vindo a ser insistentemente dirigidos, candidatar-me para voltar ao activo político, de forma a poder ter a hipótese de clarificar, por uma vez, as várias insinuações caluniosas.
Tudo tem limites, tanto as atoardas, como o silêncio inesperado.
Quero, aliás, deixar bem claro que, caso este blogue, ou outro qualquer pasquim, insista em dar voz a caluniadores que me agridam, participarei judicialmente nos sítios adequados.
Quanto à questão relacionada com a Quinta da Fonte, tendo em conta que o presidente da câmara tentou responsabilizar a gestão realizada há doze anos, quando eu estava em funções, dizer:
a) É frequente ver e ouvir alguns “iluminados”, como sejam os políticos que “nunca erram” ou os académicos “sobredotados”, virem dizer, em situações semelhantes, que tudo foi mal feito, e que eram previsíveis os maus resultados. Gostava de saber, o que, de facto, fizeram uns, e o que fariam os teóricos se, por acaso, algum dia tivessem que responsabilidades executivas fora do mundo da universidade. Bem pregam estes Frei Tomás!
b) Sabia-se, há já mais de vinte anos, que as operações de realojamento das famílias moradoras em barracas e situações similares são muito complexas, assim como eram discutíveis aspossibilidades alternativas de realização prática. Em geral os municípios não ambicionaram a tarefa, e eu próprio só por obrigação irrecusável a aceitei, que agora não posso explicar. Nunca tive a ilusão de que fosse obra que motivasse grandes agradecimentos, e, muito menos, votos. Aliás, é conhecida a referência feita há mais de 150 anos por Engels numa das suas primeiras obras “os problemas sociais não se ultrapassam através da resolução dos problemas habitacionais, mas é exactamente pela via inversa que se terá que actuar”.
c) Também não é de estranhar que gente do género daquela que actualmente é poder em Loures, e que, aliás, também é useiro na alimentação de boatos difamatórios, viesse, no meio de um manifesto desnorte, desculpar-se com a gestão de há doze anos atrás! Afinal é perfeitamente visível que alguma coisa está a falhar naquela gestão municipal: Como se pode entender que o presidente da câmara venha dizer que foi “surpreendido” por um problema, que ele próprio afirmou, pouco depois, existir há mais de dez anos? Por outro lado, vir dizer que aquele realojamento está “relacionado com a Expo 98” e que foi feito “à pressa”, revela, além de mau carácter, uma profundíssima ignorância.
d) Será que é para não “cometer erros” a câmara de Loures não fez mais realojamentos dignos desse nome nos últimos anos? Então e as “nódoas” urbanísticas e sociais que subsistem por exemplo no Prior Velho e na Portela? Vão manter-se mais quantas décadas há espera de que última teoria sociológica e urbanística?
e) Se a câmara de Loures acha errado o modelo utilizado, “à pressa”, na Quinta da Fonte, porque razão a Quinta da Mós, realizada com “muito tempo de reflexão”, se desenvolve segundo um padrão equivalente ao da Quinta da Fonte?
f) Foi lamentável o triste espectáculo dado por um poder municipal que se movimentou aos tropeções, claramente ultrapassado pelos acontecimentos, que, segundo dizem responsáveis da administração central, são, no fundamental, casos de polícia. Um poder que deu, num determinado momento, sinais de querer por em prática a segregação habitacional de grupos étnicos diferentes, só para não ter problemas de imagem! Valeu-lhe o apoio “amigo” das entidades da administração central, designadamente o Governo Civil.
g) Infelizmente, o problema não é somente um caso de polícia. Tem-se escondido que estas explosões de violência não podem deixar de estar relacionadas com o apodrecimento da situação social verificado no país.
Não só a carestia de vida e o desemprego, mas, também, o contínuo desinvestimento na justiça e segurança, estão a contribuir para estas situações.
Demétrio Alves
O citado indivíduo, num estilo que tem sido habitual em determinados meios, veio invocar factos não verídicos pretendendo atingir-me, como se eu tivesse sido alguma vez acusado ou condenado judicialmente por esses factos.
De facto, apenas fui acusado por gente anónima que, cobardemente, pôs a circular algumas atoardas, pretendendo prejudicar-me em tempos eleitorais, o que não conseguiram. Já depois de ter saído de funções, em 1999, por minha exclusiva vontade, e em protesto pela forma como foi criado o concelho de Odivelas, puseram a circular que eu teria ido para Moçambique onde supostamente teria acumulado uma grande fortuna.
Não emigrei nem desapareci, como diz o Barão. Estou e sempre estive em Portugal, trabalhando e estudando, porque não vivo de rendimentos ou de negócios.
É por estas e por outras que sou obrigado a ponderar a hipótese de, aceitando convites que me têm vindo a ser insistentemente dirigidos, candidatar-me para voltar ao activo político, de forma a poder ter a hipótese de clarificar, por uma vez, as várias insinuações caluniosas.
Tudo tem limites, tanto as atoardas, como o silêncio inesperado.
Quero, aliás, deixar bem claro que, caso este blogue, ou outro qualquer pasquim, insista em dar voz a caluniadores que me agridam, participarei judicialmente nos sítios adequados.
Quanto à questão relacionada com a Quinta da Fonte, tendo em conta que o presidente da câmara tentou responsabilizar a gestão realizada há doze anos, quando eu estava em funções, dizer:
a) É frequente ver e ouvir alguns “iluminados”, como sejam os políticos que “nunca erram” ou os académicos “sobredotados”, virem dizer, em situações semelhantes, que tudo foi mal feito, e que eram previsíveis os maus resultados. Gostava de saber, o que, de facto, fizeram uns, e o que fariam os teóricos se, por acaso, algum dia tivessem que responsabilidades executivas fora do mundo da universidade. Bem pregam estes Frei Tomás!
b) Sabia-se, há já mais de vinte anos, que as operações de realojamento das famílias moradoras em barracas e situações similares são muito complexas, assim como eram discutíveis aspossibilidades alternativas de realização prática. Em geral os municípios não ambicionaram a tarefa, e eu próprio só por obrigação irrecusável a aceitei, que agora não posso explicar. Nunca tive a ilusão de que fosse obra que motivasse grandes agradecimentos, e, muito menos, votos. Aliás, é conhecida a referência feita há mais de 150 anos por Engels numa das suas primeiras obras “os problemas sociais não se ultrapassam através da resolução dos problemas habitacionais, mas é exactamente pela via inversa que se terá que actuar”.
c) Também não é de estranhar que gente do género daquela que actualmente é poder em Loures, e que, aliás, também é useiro na alimentação de boatos difamatórios, viesse, no meio de um manifesto desnorte, desculpar-se com a gestão de há doze anos atrás! Afinal é perfeitamente visível que alguma coisa está a falhar naquela gestão municipal: Como se pode entender que o presidente da câmara venha dizer que foi “surpreendido” por um problema, que ele próprio afirmou, pouco depois, existir há mais de dez anos? Por outro lado, vir dizer que aquele realojamento está “relacionado com a Expo 98” e que foi feito “à pressa”, revela, além de mau carácter, uma profundíssima ignorância.
d) Será que é para não “cometer erros” a câmara de Loures não fez mais realojamentos dignos desse nome nos últimos anos? Então e as “nódoas” urbanísticas e sociais que subsistem por exemplo no Prior Velho e na Portela? Vão manter-se mais quantas décadas há espera de que última teoria sociológica e urbanística?
e) Se a câmara de Loures acha errado o modelo utilizado, “à pressa”, na Quinta da Fonte, porque razão a Quinta da Mós, realizada com “muito tempo de reflexão”, se desenvolve segundo um padrão equivalente ao da Quinta da Fonte?
f) Foi lamentável o triste espectáculo dado por um poder municipal que se movimentou aos tropeções, claramente ultrapassado pelos acontecimentos, que, segundo dizem responsáveis da administração central, são, no fundamental, casos de polícia. Um poder que deu, num determinado momento, sinais de querer por em prática a segregação habitacional de grupos étnicos diferentes, só para não ter problemas de imagem! Valeu-lhe o apoio “amigo” das entidades da administração central, designadamente o Governo Civil.
g) Infelizmente, o problema não é somente um caso de polícia. Tem-se escondido que estas explosões de violência não podem deixar de estar relacionadas com o apodrecimento da situação social verificado no país.
Não só a carestia de vida e o desemprego, mas, também, o contínuo desinvestimento na justiça e segurança, estão a contribuir para estas situações.
Demétrio Alves
24.6.08
Loures também (não) tem Tejo

Se é certo que o modelo económico-financeiro e de gestão territorial da EXPO-98/Parque das Nações suscitou as maiores dúvidas e reservas que o tempo se encarregou de confirmar como aspectos problemáticos e questionáveis, não é menos certo que a zona oriental de Lisboa e de Loures foram varridas por um vento de esperança e, porque não dizê-lo, de efectiva requalificação.
São agora vários os problemas emergentes, mas nada que não tenha (ainda) solução ou, pelo menos, ainda se está a tempo de fazer muito melhor. A zona do Parque das Nações foi no passado e é hoje uma zona de fronteira entre Loures e Lisboa. Uma fronteira que precisa, em parte, ser acertada, negociada e definida, mas que inquestionavelmente ali se localiza. Loures e Lisboa estão portanto incontornavelmente juntos, associados, contínuos.
Os problemas foram no passado comuns. São comuns no presente em vários aspectos. Será portanto de admitir que as soluções a encontrar sejam também partilháveis e partilhadas.
Têm o Tejo em comum. Uma frente ribeirinha magnífica. Uma paisagem excelente sobre o riquíssimo estuário e a margem sul. Um potencial turístico invejável. Uma oportunidade incomparável de proporcionar às respectivas populações, às novas gerações, o usufruto e o deleite do acesso e partilha do Rio. Condições invejáveis para estabelecer ligações cicláveis e pedonais, corredores verdes, transportes públicos alternativos, acções conjuntas de valorização e protecção do Rio e do Estuário.
Têm para enfrentar os mesmos perigos, os mesmos desafios e as mesmas ameaças: as ocupações portuárias (nada que não se resolva com bom senso e equilíbrio) e a voracidade urbanística-armazenística que vem ocupando das piores formas possíveis todas as nesgas de terreno com o máximo de construção possível, com o máximo de ocupação possível. Enfim, têm para enfrentar o regresso a uma “nova” desqualificação, mais “limpa”, mais “disfarçada”, mas efectiva. Os muros de betão e de contentores estão já aí em todo o seu esplendor.
Dificilmente se percebe como é que o Governo assina um Protocolo com o Município de Lisboa para a frente ribeirinha de Lisboa e deixa de fora Loures e Vila Franca de Xira. Podia ser apenas falta de visão estratégica, mas suspeito que seja mais do que isso. Que interesses bem mais mesquinhos tenham presidido e orientem a iniciativa política. As embrulhadas são mais que muitas de que a recentíssima demissão do (até agora) providencial J. M. Júdice é apenas um episódio.
A concepção e gestão desse processo veio – quanto a mim – pôr em evidencia que: a) Não há visão estratégica no Governo; b) Outros interesses, que não os públicos e colectivos, são o substrato do Protocolo entre a Câmara de Lisboa e o Governo; c) António Costa confirma uma vez mais o que tenho dito a propósito da sua actividade autárquica: como autarca é medíocre; d) Com a actual gestão municipal em Loures, o Município não é levado a sério, não conta para nada e nem os colegas de partido no Governo e na Câmara lisboeta se lembraram de contar com Loures para um processo de tanta importância para a área metropolitana de Lisboa norte; e) Loures, com esta gente, estará destinada a acolher na sua quota de frente ribeirinha as actividades que o Governo e Lisboa quiserem remover da Capital, para dar lugar aos condomínios de luxo a que apenas alguns (muito poucos) terão acesso.
Por isso, é indispensável lembrar que LOURES TAMBÉM TEJO.
São agora vários os problemas emergentes, mas nada que não tenha (ainda) solução ou, pelo menos, ainda se está a tempo de fazer muito melhor. A zona do Parque das Nações foi no passado e é hoje uma zona de fronteira entre Loures e Lisboa. Uma fronteira que precisa, em parte, ser acertada, negociada e definida, mas que inquestionavelmente ali se localiza. Loures e Lisboa estão portanto incontornavelmente juntos, associados, contínuos.
Os problemas foram no passado comuns. São comuns no presente em vários aspectos. Será portanto de admitir que as soluções a encontrar sejam também partilháveis e partilhadas.
Têm o Tejo em comum. Uma frente ribeirinha magnífica. Uma paisagem excelente sobre o riquíssimo estuário e a margem sul. Um potencial turístico invejável. Uma oportunidade incomparável de proporcionar às respectivas populações, às novas gerações, o usufruto e o deleite do acesso e partilha do Rio. Condições invejáveis para estabelecer ligações cicláveis e pedonais, corredores verdes, transportes públicos alternativos, acções conjuntas de valorização e protecção do Rio e do Estuário.
Têm para enfrentar os mesmos perigos, os mesmos desafios e as mesmas ameaças: as ocupações portuárias (nada que não se resolva com bom senso e equilíbrio) e a voracidade urbanística-armazenística que vem ocupando das piores formas possíveis todas as nesgas de terreno com o máximo de construção possível, com o máximo de ocupação possível. Enfim, têm para enfrentar o regresso a uma “nova” desqualificação, mais “limpa”, mais “disfarçada”, mas efectiva. Os muros de betão e de contentores estão já aí em todo o seu esplendor.
Dificilmente se percebe como é que o Governo assina um Protocolo com o Município de Lisboa para a frente ribeirinha de Lisboa e deixa de fora Loures e Vila Franca de Xira. Podia ser apenas falta de visão estratégica, mas suspeito que seja mais do que isso. Que interesses bem mais mesquinhos tenham presidido e orientem a iniciativa política. As embrulhadas são mais que muitas de que a recentíssima demissão do (até agora) providencial J. M. Júdice é apenas um episódio.
A concepção e gestão desse processo veio – quanto a mim – pôr em evidencia que: a) Não há visão estratégica no Governo; b) Outros interesses, que não os públicos e colectivos, são o substrato do Protocolo entre a Câmara de Lisboa e o Governo; c) António Costa confirma uma vez mais o que tenho dito a propósito da sua actividade autárquica: como autarca é medíocre; d) Com a actual gestão municipal em Loures, o Município não é levado a sério, não conta para nada e nem os colegas de partido no Governo e na Câmara lisboeta se lembraram de contar com Loures para um processo de tanta importância para a área metropolitana de Lisboa norte; e) Loures, com esta gente, estará destinada a acolher na sua quota de frente ribeirinha as actividades que o Governo e Lisboa quiserem remover da Capital, para dar lugar aos condomínios de luxo a que apenas alguns (muito poucos) terão acesso.
Por isso, é indispensável lembrar que LOURES TAMBÉM TEJO.
(artigo para e a convite de http://www.antreus.blogspot.com/ )
17.6.08
30.5.08
29.5.08
Parque das Nações em importante Debate

O Clube Parque das Nações promove importante Debate sob o tema "Passado, Presente e Futuro do Parque das Nações", na próxima 6ª Feira, dia 30 de Maio na Escola Vasco da Gama do Parque das Nações.
Entre outros convidados, usará da palavra o Eng. Demétrio Alves, Presidente da Câmara Municipal de Loures, no período de execução e funcionamento da EXPO-98.
23.5.08
30.4.08
A História das Coisas
O que é a História das Coisas? ...
Desde a sua extracção até à venda, uso e disposição, todas as coisas que compramos e usamos na nossa vida afectam as sociedade no nosso país e noutros países, mas a maioria disto é propositadamente escondido dos nossos olhos pelas empresas e políticos.
A História das Coisas é um documentário de 20 minutos, rápido e repleto de factos que olha para o interior dos padrões do nosso sistema de extracção, produção, consumo e lixo.
A História das Coisas expõe as conexões entre um enorme número de importantes questões ambientais e sociais, demonstrando que estamos a destruir o mundo e a auto-destruirmo-nos, e assim apela-nos a criar um mundo mais sustentável e justo para todos e para o planeta Terra.
Este documentário vai-nos ensinar algo, fará rir, e acabará por mudar para sempre a maneira como olhamos para todas as coisas que existem na nossa vida.
15.4.08
31.3.08
Em Abril Esperanças Mil
18 de Abril, 6ª feira, pelas 20 horas.
Restaurante FIL, Parque das Nações, junto ao Pavilhão Atlântico.
Intervenções:
António Marinho Pinto (bastonário da Ordem dos Advogados),
Ricardo Araújo Pereira (humorista)
Pedro Lauret, comandante, «capitão de Abril», (direcção da Associação 25 de Abril).
14.3.08
Só faz falta quem concorda
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