Ninguém de bom senso presumirá que as escolhas feitas pelos Partidos (ou até mesmo nas agora modernaças listas de cidadãos independentes) para as candidaturas eleitorais às Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia, são exemplarmente democráticas e meritocráticas. A ninguém passará pela cabeça – creio – que as datas em que se procede a selecções, a posicionamentos, a alianças e a disputas internas ocorrem de acordo com os calendários anunciados pelos partidos. Se alguém pensa isso, pois que se desiluda porque não é assim que se passa.
Em formações políticas mais dadas a barganhas e lutas intestinas pelo poder interno e externo, tais guerras não apenas são mais violentas - aos olhos da opinião pública - como começam em prazos de antecipação consideráveis. A formação de grupos de apoio, a negociação de lugares e prebendas futuras - se a candidatura for bem sucedida - demoram tempo a fixar e a consolidar.
Noutros, que fazem da discrição o seu modus operandi, o processo é menos negociado e menos demorado, o que não significa que os candidatos/as a candidatos/as não comecem bem cedo a posicionar-se (às vezes até mais cedo que os outros), a fazer alianças tácticas, a procurarem mostrar “trabalho”, a empunharem uma ou outra bandeira local e/ou interna.
Pelas movimentações de que me pude aperceber, estão a lançar-se para putativos candidatos pelas mais importantes formações partidárias vários indivíduos - alguns já bem nossos conhecidos – com objectivos definidos… para 2013.
Sim, sim, sem surpresa. No PS, PSD e PCP, se é certo que as máquinas partidárias, as estruturas formais nada decidiram ainda, não faltam já aqueles que em cada partido vão desenvolvendo a sua própria campanha, para se colocarem bem em 2009, porque têm ambições para 2013.
Recordo – aos menos atentos – que com a limitação de mandatos, muitos dos actuais Presidentes, da Câmara e Juntas, terão obrigatoriamente de sair, pelo que poucos haverão com “trabalho feito” a disputar eleições. É a oportunidade de ouro para os que querem chegar a presidente/a ou até mais prosaicamente, ser apenas candidato/a e ter os seus minutitos de fama, nem que seja na sua rua ou junto da família !
E podemos estar certos que, como nas antigas telenovelas venezuelanas, nos próximos tempos os gestos dirão o que a boca nega (veementemente, se for caso disso, para fazerem de conta que não pretendem nada e até estão desinteressados).
Mas e porque é que eu acho que estão em marcha vários erros de casting ?
Em primeiro lugar, porque se verifica que há muita a gente que quer ser presidente de qualquer coisa, sem cuidar – porque não pode a esta distância – de quais serão as condições concretas de exercício de um qualquer cargo com tanta antecedência. Portanto, só se pode concluir que se quer poder: a) porque sim; b) porque se representam interesses que não são exactamente os das populações a serem “governadas”;
Em segundo lugar, porque das personagens em movimento – nem sempre piores do que aquelas que estão instaladas – não avultam qualidades, méritos e visão na medida do que precisa o Concelho de Loures e as suas freguesias;
Em terceiro lugar, porque as estruturas partidárias inevitavelmente vão fazer escolhas com estes proto-candidatos a fazerem ruído e a esbracejarem para alcançar o lugar sonhado e isso, perturbará qualquer escolha por mérito (por mérito entenda-se aqui reconhecida competência, honestidade e dedicação).
Ficará prejudicado quem poderia avançar por razões de projecto, de objectivo colectivo, de programa em que os cidadãos fossem os destinatários e beneficiários. Logo, ficam prejudicados os interesses colectivos em favor de interesses particulares e de grupo
E pelo que já vi e já percebi, lamentavelmente, teremos muitos erros de casting…
















