Mão amiga fez-me chegar um recorte do jornal Expresso de 9 de Janeiro de 1982. Trata-se de um trabalho jornalístico de Leonor Pinhão que, a propósito da vinda a Sacavém do então primodivisionário Rio Ave Futebol Clube para um jogo da Taça de Portugal, fala com 3 dirigentes do Sacavenense da época. Já lá vão portanto 25 anos.O título da peça jornalística, sintetiza bem, o tom e conteúdo da entrevista daqueles dirigentes, cujos nomes saliento: António Cardoso, José Manuel Tavares e José Teixeira.
As certezas, problematizações, questionamentos e dúvidas que emergem desta, aparentemente, entrevista colectiva são, do meu ponto de vista, um verdadeiro ensaio de lucidez. Os anos e o cúmulo de erros prosseguidos, sobretudo nos últimos anos da vida do Sacavenense, são o melhor atestado da pertinência das reflexões que alguns dos dirigentes faziam. Sublinho, para quem desconheça, todos eles Vice-Presidentes, portanto, necessariamente bem conhecedores da realidade do Clube e dos clubes da sua igualha.
Readquire sentido, invocar o problema da "viabilidade económico-desportiva" então analisada, porque apesar de na altura o Clube "não estar afundado em dívidas", já se dizia que "a sobrevivência do Sacavenense passa por uma profunda remodelação das suas estruturas." Ao que se acrescentava que "há já uma comissão a estudar uma proposta que será discutida em Assembleia Geral".
O certo é que, 25 anos depois deste ensaio de lucidez, o Sacavenense está afogado em dívidas, a sua estrutura não foi profundamente remodelada e a sobrevivência está em causa como nunca esteve. É mais um Clube e sobretudo uma referência nacional que está moribunda, gravemente comprometida.
Pretendo pois salientar que avisos não faltaram e com tempo e, hoje, ao que parece, ao que se sabe, o Sport Grupo Sacavenense, enfrenta aquela que é talvez a sua pior crise de sempre. Triste ironia: resistente exemplar à ditadura, corre o risco de baquear e sucumbir em plena democracia, num regime e tempos em que seria de esperar que os Clubes e o Movimento Associativo em geral tivessem outra dinâmica, pujança e apoios.
Não daqueles apoios, como os últimos que tem tido que o empurraram em direcção ao abismo. Não os apoios miríficos e virtuais da gestão das expectativas de que seria carregado em ombros, à custa de dinheiros públicos, até ao mais alto píncaro do futebol nacional (dislate só comparável aquele que proclama que a futura Capital do país será Loures). Não certamente os apoios que se traduzem em meras mudanças de relvados.
Só desejo e espero que os associados do Sacavenense fazendo jus ao passado e justiça ao futuro da Instituição tenham a argúcia, a inteligência e o sentido de oportunidade de não embarcarem em novos aventureirismos, de não alinharem com oportunismos, de não fazerem opções inconsequentes e não aceitarem tutelas paternalistas e caritativas.
O Sacavenense pode e deve ter um projecto de futuro. Acredito que encontrará o seu caminho e que finalmente tenha lugar a profunda remodelação das suas estruturas (e acrescento eu, dos seus objectivos). Só isso, pode proporcionar a superação das inúmeras dificuldades que vai ter de enfrentar nos tempos mais próximos.
O imenso problema que está colocado é também, talvez, a sua melhor oportunidade regeneradora. Haja lucidez!










