
O insuspeito João Nunes, veio pôr o dedo na ferida.
Tinha já chegado ao meu conhecimento o modo como se conduziram e comportaram na Festa do Centro Cristão da Cidade, alguns dos protagonistas políticos que por lá passaram.
Se tomasse eu a iniciativa de o comentar, não escaparia à sacramental observação de “lá está ele...”. Pois que seria coisa de má língua, pois que seria consequência de uma qualquer disputa pessoal, pois que seria por despeito ou coisa parecida.
Pois bem, verifico – com surpresa e curiosidade – que afinal é o Dr. João Nunes, Presidente da Junta de Freguesia de Loures, que na edição de 7 de Novembro passado do Triângulo, vem pôr o dedo numa ferida que muitos conhecem, mas que quase todos fazem por ignorar.
E não podia ser mais objectivo na classificação. Diz ele: “Não há pior para a imagem de um país ou de uma autarquia do que ter um ignorante a dirigir assuntos religiosos e sociais ou assuntos culturais”. Lapidar.
Esta singela frase, deveria merecer concentrada reflexão do Sr. Presidente da Câmara de Loures e dos militantes do PS em geral. Para hoje e para o futuro…
Contudo, ou por solidariedade partidária ou outra qualquer razão não confessada, o Dr. João Nunes limita-se a referenciar o problema, assume a máxima “olho por olho, dente por dente”, mas na hora de “chamar os bois pelos nomes”, “corta-se” e “mete a viola no saco”, escapando-se airosamente com um enigmático “aos que nada tinham a ver com a festa e que nada perceberam daquilo que se passava ali, de momento nada tenho a dizer”.
Pois quer-me parecer que isso não fica bem. Há que dar nomes à incompetência e há que identificar os ignorantes, porque só assim ajudamos os cidadãos (na festa estiveram muitos, mas não estiveram todos e, dos muitos que estiveram, só bem poucos perceberam o que lá se passou) a fazerem os indispensáveis juízos políticos sobre quem governa, seja no Governo ou na Autarquia Local.
Ora, o Vereador António Pereira que é referido, sem ser nomeado, cumpre todos os requisitos com os quais o seu companheiro de Partido o mimoseia e quem queira observar com atenção, verificará que a ignorância e mais do que isso, a ignorância arrogante, é o único instrumento de gestão e condução política que o Sr. Vereador tem, quer para os assuntos religiosos e culturais, quer para todos os demais que submeteram à sua responsabilidade.
Finalmente, alguém absolutamente insuspeito e com quem tenho marcadíssimas divergências políticas e ideológicas, vem publicamente dar-me razão (porque em privado muitos o fazem).
Se não fosse o Concelho de Loures a sofrer as consequências de uma gestão municipal ignorante, haveriam razões para ficar satisfeito com a confirmação da minha tese.Assim não. Confirma-se o que pensava e penso sobre a ignorância no poder. O pior são os resultados.
Termino esta minha opinião sobre uma opinião, aproveitando uma citação escolhida pelo Dr. João Nunes: “E chega um dia em que é preciso assumir uma posição que não é segura, nem política, nem popular, mas que tem de ser assumida porque é aquela que é certa.”
E agora, Dr. João Nunes, quando chegará o dia para assumir a posição certa ?
artigo remetido ao Jornal Triângulo



